DOIS PERFUMES SEM NOME E SEM VIDRO
Não é possível
lembrar-se dela sem que chegue ao nosso olfato a lembrança de dois perfumes que
nunca foram envasados, nem foram rotulados e nunca foram comercializados, o que
é lamentável e até mesmo inadmissível.
Um deles brotava
das mesas dos almoços dominicais. Era o cheiro maravilhoso que saía da travessa
de macarrão com molho de tomates e se unia ao perfume que brotava da travessa
com a galinha preparada em pedaços, puxada no próprio molho.
Este perfume
tomava conta da cozinha até contagiar toda a casa, era o perfume que tinha o
cheiro da felicidade.
O outro surgia
das tardes em que chegávamos da escola, cansados dos longos caminhos
percorridos a pé face às adversidades da chuva, do frio ou do sol escaldante do
verão.
Do forno do fogão
à lenha já se podia sentir o perfume dos biscoitos de polvilho que assavam,
adquirindo lentamente, um tom dourado semelhante ao brilho do por do sol.
Misturava-se a
ele, o cheiro doce e aconchegante que surgia na fumaça que escapava do bule
cheio de chá de erva cidreira.
Este perfume
transformava nossa simples mesa de madeira rústica, em um banquete real. Ele
tinha o cheiro do amor e dos tempos idos e vividos, mas que, não estão excepcionados
das implacáveis leis da natureza, que não permitem aos mortais uma segunda
chance, ou uma rápida e fugaz visita ao passado, apenas para termos uma segunda
oportunidade, e nela vivermos só mais uma vez aquilo que foi tão belo.
Por estes motivos
é que estes perfumes deveriam ter sido envasados e rotulados, pois hoje seriam
mais valiosos para nós do que os mais raros e sofisticados perfumes criados
pelos laboratórios europeus.
Gercia em viagem com sua filha Lilian e família
Proibido copiar ou reproduzir fotos e textos, sem autorização, de acordo com a lei nº9.610de19.02.1998.
Texto: Escrito por Leslie, com a colaboração de Lilian, e aprovação dos irmãos (filhos de Gercia).
Fotos:Perfume de Iracema,biscoito de polvilho da casa de Lilian.
UM CASACO DE PELE PARA UM BEBÊ


Nenhum comentário:
Postar um comentário