“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”
Hoje a Igreja celebra a festa de dois grandes
apóstolos, Pedro e Paulo, este grande evangelizador dos pagãos ou gentios, e
aquele do seu próprio povo. Como Evangelho do dia, escolheu-se a história do
caminho de Cesareia de Felipe. O relato mais antigo está no Evangelho de
Marcos, Cap. 8 vv 27-38, o qual se tornou o pivô de todo o Evangelho. A
estrutura de Mateus é diferente mas o relato tem a mesma finalidade, ou seja,
ajudar os ouvintes e leitores a clarificar quem é Jesus e o que significa ser
discípulo ou discípula d’Ele.
A
pedagogia do relato é interessante. Primeiro, Jesus faz uma pergunta bastante
inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” Assim, vem muitas
respostas, pois responder essa pergunta não compromete por ser o “diz que”.
Mas, a segunda pergunta traz a facada: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Agora
não vêm muitas respostas, pois quem responde em nome pessoal, e não dos outros,
se compromete! Somente Pedro se arrisca e proclama a verdade sobre Jesus: “Tu
és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Aparentemente Pedro acertou e realmente,
em Mateus, Jesus confirma a verdade do que proclamou! Afirmou que foi através
de uma revelação do Pai que Pedro fez a sua profissão de fé. Mas, para que
entendamos bem o trecho, é necessário que continuemos a leitura pelo menos até
v. 25. Pois, o assunto é mais complicado do que possa parecer.
Pois,
após afirmar que Pedro tinha falado a verdade, Jesus logo explica o que
significa ser o Messias (ou, em grego, o Cristo. O termo significa “Ungido”). Não era ser
glorioso, triunfante e poderoso conforme os critérios deste mundo. Muito pelo
contrário, era ser fiel à sua vocação como Servo de Javé, era ser preso,
torturado e assassinado, era dar a vida em favor de muitos. Jesus confirmou que
Ele era o Messias, mas não da maneira que Pedro esperava e queria. Ele,
conforme as expectativas do povo do seu tempo, queria um Messias forte e
dominador, não um que pudesse ir, e levar os seus seguidores também, até a
Cruz! Por isso, Pedro reluta com Jesus, pedindo que nada disso acontecesse.
Como recompensa, ganha uma das frases mais duras da Bíblia: “Afasta-se de mim,
Satanás, você é uma pedra de tropeço para mim, pois não pensas as coisas de
Deus, mas dos homens!” (v. 23). Pedro, cuja proclamação de fé mereceu ser
chamada a pedra fundamental da Igreja (v. 18), é agora chamado de Satanás - o
Tentador por excelência - e “pedra de tropeço” para Jesus! Pedro usava o título
certo, mas tinha a compreensão errada! Usando os nossos termos de hoje, de uma
forma um tanto anacrônica, podemos dizer que ele tinha ortodoxia, mas não
ortopraxis!
Assim,
Jesus usa o equívoco de Pedro para explicar o que significa ser seguidor d’Ele:
“Se alguém quer me seguir, renuncie a se mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (v.
24). Ter fé em Jesus não é em primeiro lugar um exercício intelectual ou
teológico, mas uma prática; o seguimento d’Ele na construção do seu projeto,
até às últimas consequências.
Hoje,
enquanto celebramos os nossos dois grandes missionários, a pergunta de Jesus
ressoa forte - a segunda pergunta. Para nós, quem é Jesus? Não para o
catecismo, não para o papa ou o bispo, mas para cada de nós, pessoalmente? No
fundo, a resposta se dá, não com palavras, mas pela maneira em que vivemos e
nos comprometemos com o projeto de Jesus - Ele que veio para que todos tivessem
a vida e a vida plenamente! (Jo 10, 10). Cuidemos para que não caiamos na
tentação do equívoco de Pedro, a de usar termos corretos, mas com a compreensão
errada!
Hoje
também se torna um dia especial para que rezemos pelo Papa Francisco. Peçamos que Deus lhe dê saúde, paz e força
para conduzir a Igreja no caminho certo, como vem fazendo desde a sua eleição,
apesar de fortes ventos contrários, dentro e fora da Igreja. Que ele continue a “confirmar os seus
irmãos/irmãs na fé!”
Tomaz
Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.brFonte: www.matrizsaocristovao.com.br

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