quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mensagem - Páscoa Tempo de Renascer! Tempo de Despertar para a Vida Nova

Páscoa: Tempo de renascer! Tempo de despertar para a vida nova!"
Muitos de nós, de uma certa idade, lembram ainda quando a Quaresma era observada com muito rigor nas famílias e comunidades cristãs, com especial ênfase em deprivar-se de algum bem – doces, bebidas, cinema ou algo semelhante.  Que alegria quando chegasse Sábado Santo, pois tudo isso terminou!  Sem negar o valor das práticas daqueles tempos idos, antes da reforma litúrgica do Papa Pio XII, a celebração da Páscoa foi diminuída na sua importância e quase que desligada da caminhada quaresmal, pois a Quaresma terminava ao meio dia do Sábado Santo!
O ponto alto do Ano Litúrgico é o Tríduo Pascal.  Aqui está resumido todo o mistério da nossa salvação, pela vida, morte e ressurreição de Jesus.  Na quinta à noite comemoramos a Ceia que resumiu toda a vida de Jesus.  “Tendo amado os seus, amou-os até o extremo”  (Jo 13,1) - até o último ponto de doação, dando a sua vida.  Jesus nos deu o mandamento que deve nortear toda a nossa vida – “façam isso em memória de mim!”.  Não fazendo uma lembrança de algo que já passou, mas o memorial – tornando presente tudo que foi celebrado nessa ceia derradeira, e comprometendo-nos com o seguimento de Jesus hoje, alimentados por seu corpo e sangue, numa vida de amor e solidariedade.
            Há uma ligação estreita entre todos os elementos do Tríduo, pois sexta feira foi a consequencia lógica da vida de Jesus.  Ele não veio para morrer, mas para que “todos tenham a vida e a vida em abundância” (Jo 10,10).  Por isso, o seu projeto do Reino bateu frontalamente com os projetos de dominação do seu tempo, e por isso, ele foi assassinado.  Fiel até o fim, assumiu as consequências da fidelidade à vontade do Pai, e foi morto, e morto na Cruz.  Desvinculado da Quinta-feira Santa e do Sábado Santo, Sexta-feira Santa seria a celebração de uma derrota fragorosa.  Por isso, depois de sentirmos a dor e a tristeza da sexta feira, aparente vitória do mal, celebramos, numa explosão de alegria, a vitória de Deus, do bem, na Ressurreição de Jesus, garantia da nossa, através da Liturgia Pascal.
            Nos relatos dos Evangelhos certos elementos são comuns: o fato que o túmulo era vazio, que as primeiras testemunhas eram as mulheres, e que uma delas era Maria Madalena.  Um fato salta aos olhos – ninguém esperava a Ressurreição.  A Cruz era o fim da esperança, a maior desilusão possível.  Se somarmos a isso o fato que todos eles traíram Jesus (ou por dinheiro, ou por covardia), podemos imaginar o ambiente pesado entre os discípulos na manhã do Domingo.  Nisso, chegam a Maria e as mulheres com a notícia do  túmulo vazio.  Pedro e o Discípulo Amado correm até o túmulo. Enquanto Pedro vê sem entender enquanto o Discípulo Amado acredita.  Só quem olha com os olhos do amor, penetra além das aparências!
            Salta aos olhos, mesmo com uma leitura superficial dos relatos evangélicos, que a experiência da Páscoa fez uma reviravolta na vida dos discípulos e discípulas.  De um grupo de decepcionados, desiludidos e fracassados, se tornaram um grupo dinâmico, evangelizador, animado, olhando a vida, com suas alegrias e tristezas, de uma outra maneira.  Isso fica claro no relato dos Discípulos de Emaús, em Lucas 24, 13-35.  Podemos sentir no desabafo do Cléofas sentimentos de tristeza, decepção, desilusão, até revolta contra Jesus, por, aparentemente, ter fracassado e destruído os sonhos e esperanças deles: “nós esperávamos (notemos o tempo do verbo!) que fosse ele o libertador de Israel, mas...já faz três dias que tudo isso aconteceu.” (Lc 24, 21).  De repente, depois de ter feito a experiência da presença de Jesus Ressuscitado, tudo muda: “Então uma disse ao outro: Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”  Na mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os Onze, reunidos com os outros” (Lc 24, 32-33).
            Páscoa era para eles, e deve ser para nós, “tempo de renascer”.  Mas é bom notar – só “renasce” quem morreu!  Temos que descobrir em nós o que precisa renascer, o que tem morrido, ou está agonizando!  Pode ser a fé, a força, o ânimo, a esperança, o engajamento na comunidade, a energia para lutar por um mundo melhor.  Todas essas coisas são capazes de renascer, se realmente fizermos a real experiência da Páscoa, da Ressurreição de Jesus.  Não de uma maneira sentimental e aérea, mas realista.  Para ressuscitar, Jesus teve que passar realmente pela morte.  Mas venceu a morte e continua a viver – e no meio de nós.  Lembremos como Paulo dava importância à Ressurreição. Escrevendo aos coríntios, uma comunidade onde alguns “iluminados” negaram ou menosprezaram o fato da Ressurreição, ele brada: “Se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a fé que vocês têm é ilusória e vocês ainda estão nos seus pecados....Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens (I Cor 15, 16-19).
            Não há dúvida que não é fácil manter sempre a esperança, a fé e a coragem diante de tantas dificuldades na vida.  Sempre foi assim.  O autor anônimo de Hebreus, escrevendo na segunda parte do primeiro século a uma comunidade judeu-cristã, sabia disso, e falou: “Corramos com perseverança na corrida, com os olhos fixos em Jesus...para que vocês não se cansem e não percam o ânimo, pensem atentamente em Jesus” (Hb 12, 1c-3).  A celebração da Semana Santa nos dá uma oportunidade de fazer isso – olhar de novo atentamente para Jesus, o Verbo de Deus, “que se fez homem e armou a sua tenda no meio de nós” (cf Jo 1, 14).  Assim podemos reanimar a nossa fé, a nossa missão, a nossa participação na comunidade, olhando, recordando e celebrando o Jesus real que se tornou igual a nós em tudo, menos o pecado.  Ele que, apesar de ser abandonado por quase todos e sentindo-se abandonado até pelo Pai, gritou “Meu Deus, Meu Deus porque me abandonaste”(Mc 15,34), mesmo assim foi fiel até o fim e assim foi ressuscitado pelo Pai.  Tempo de renovação, tempo de reviver, tempo de ânimo novo, tempo santo – a celebração da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus, “autor e consumidor da fé” (Hb 12,3) Que esta celebração nos dê renovado força e novo ânimo sempre, especialmente quando a Cruz for muito pesada!
Pe. Tomaz Hughes SVD
Imagem: Google

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