“Ele viu e acreditou”
Os quatro evangelhos
relatam os acontecimentos do Dia da Ressurreição, cada um de acordo com as suas
tradições. Mas certos elementos são
comuns a todos: o fato do túmulo vazio, que as primeiras testemunhas eram as mulheres
(embora divirjam quanto ao seu número e identidade e o motivo da sua ida ao
túmulo - para ungir o corpo, ou para vigiar e lamentar), e de que uma delas era
Maria Madalena. Podemos tirar disso a conclusão que as mulheres tinham lugar
muito importante entre o grupo dos discípulos de Jesus, e que elas eram mais
fiéis do que os homens, seguindo Jesus até a Cruz e além dela! Infelizmente, outras gerações fizeram questão
de diminuir a importância das discípulas na tradição – e a Igreja sofre até
hoje as conseqüências.
Lendo os relatos, um
fato salta aos olhos – ninguém esperava a Ressurreição. Para os e as discípulos, a Cruz era o fim da
esperança, a maior desilusão possível.
Se somarmos a isso o fato que todos os Doze traíram Jesus (ou por
dinheiro, ou por covardia), podemos imaginar o ambiente pesado entre eles na
manhã do Domingo. Nesse meio, chega a
Maria e as mulheres com a notícia de que o túmulo estava vazio.
No nosso
texto, Pedro (que tem um papel importante nos textos pós-ressurrecionais) e o
Discípulo Amado (anônimo, mas quase certamente não um dos doze) correm até o
túmulo. O texto deixa entrever a tensão histórica que existia entre a
comunidade do Discípulo Amado e a comunidade apostólica (representada por
Pedro). Pois o Discípulo Amado espera
por Pedro (reconhece a sua primazia), mas enquanto Pedro vê sem acreditar, o
Discípulo Amado acredita. No Quarto
Evangelho, Pedro só realmente vai conseguir amar Jesus no Capítulo 21, enquanto
o Discípulo Amado é o tal desde Capítulo 13. Só quem olha com os olhos do
coração, do amor, penetra além das aparências!
Como em Lucas 24, na
historia dos Discípulos de Emaús, o texto demonstra que a nossa fé não está
baseada em um túmulo vazio! Não é o
túmulo vazio que fundamenta a nossa fé na Ressurreição, mas o contrário - e a
experiência da presença de Jesus Ressuscitado que explica porque o túmulo está
vazio! Cuidemos de não procurar bases
falsas para a nossa fé no Ressuscitado!
Hoje em dia,
quando olhamos para o mundo ao nosso redor, é fácil não acreditar na vitória da
vida sobre a morte. Há tanto sofrimento
e injustiça - guerra, violência, corrupção endêmica, saúde e educação
sucateadas, destruição desenfreada do meio-ambiente, sem falar de desastres
naturais com terremotos e tsunamis! Só
uma experiência profunda da presença de Jesus libertador no meio da comunidade
poderá nos sustentar na luta por um mundo melhor, com fé na vitória final do
bem sobre o mal, da luz sobre as trevas, da graça sobre o pecado! Nós todos somos discípulos amados, pois “nada
nos separa do amor e Deus em
Jesus Cristo ” (cf. Rom 8), mas será que somos discípulos qua
amam? Será que amamos a Jesus e ao próximo?
E lembramos que o ágape, o amor proposto pelo evangelho, não é um
sentimento, mas uma atitude de vida, de solidariedade, de partilha, de justiça.
“O amor consiste no seguinte: não fomos
nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como
vítima expiatória por nossos pecados. Se
Deus nos amou a tal ponto, também nós devemos amar-nos uns aos outros”(I Jo
4, 10-11).
Que a
mensagem da Ressurreição, da vitória da vida sobre a morte, nos anime e dê
força, especialmente quando a Cruz pesar muito em nossas vidas.
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsãocristovao.com.br
Imagem:Google
Nenhum comentário:
Postar um comentário